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A minha vida virada do avesso - crossfitjourney

A minha vida virada do avesso - crossfitjourney

O amor quando e amor

O amor quando é amor.

O amor só chega ao fim quando tem de se pedir por ele. O amor não se reclama, não se mendiga, não mirra e não se diminui. O amor enquanto é amor e ou é ou deixa de ser. O amor quando existe está na parede da casa, no tapete da sala, na moldura da estante e no candeeiro do quarto. Está em todos os cenários ainda que mais recatado, sentado no chão à espera que a discussão acabe, escondido atrás do cansaço à espera que chegue o sono e os sonhos mas está presente em todas as coisas. O amor quando é amor precisa do outro. Precisa do outro se não dói, dói na cabeça e nas mãos e nos olhos e no cabelo. Doi porque o coração é o corpo todo, e até a alma fica pesada como a mochila da escola. O amor quando é amor precisa de ver o outro sorrir e é só assim que se respira fundo, bem e sempre. Precisa de sentir que é responsável por parte da felicidade do outro, precisa de surpreender, precisa de abraçar, às vezes precisa só de estar perto ainda que não diga nada porque é no silêncio dos que se amam que se descobrem os maiores segredos do mundo e se resolvem os maiores mistérios da vida.

O amor quando é amor fica. Se fugiu não era amor, se partiu não era amor, se se manchou era amor e então limpa-se devagar e cura-se com cuidado. Fica e dá a mão, fica e apanha os cacos todos, fica para dizer que o amanhã vai ser melhor ainda que minta, fica porque se veste de esperança. O amor quando é amor é muitas vezes exagerado e imprudente, porque quer tudo muito e com muita força. Não quer que ninguém o leve, não quer que ninguém lhe sopre para que arrefeça, não quer que ninguém o altere não quer que ninguém o corrompa. O amor quando é amor tem algumas lágrimas e alguma dor porque não cabe nas mãos, foge a correr como um louco,volta a chorar como um filho, faz de nós trapos e reis e nem sempre é fácil de ler.
O amor quando é amor não precisa de pedir resposta, não precisa de cobrar atenção. Se tens de pensar se aquilo era amor é porque não era, se te levou as entranhas e te deixou no chão é porque não era. É que o amor não é o não saber mas também não é o destruir, é aquele milagre que acontece na curva entre a calma e a catástrofe, é aquele choro que aterra numa boca que sorri, é uma faísca, é a viagem entre o limite e o íntimo, é a vertigem do abismo e o saber que não vamos cair nele.

O amor quando é amor está em todas as canções e em todos os filmes, está em todos os nasceres e pores do sol, esta em todos os postais e passeios. O amor quando é amor quase que odeia de amar tanto, quase que rasga o peito de o esticar,quase que levanta os pés do chão para o apanharmos no ramo mais alto da árvore. Quase, mas só quase. Quase odeia porque ama tanto que não sabe o que fazer,quase rasga porque transborda, quase levita porque de belo não caminha no chão como os homens. É esse balancê entre a quase morte e a imortalidade, um trampolim que no salto te permite ver do outro lado do muro da vida. O amor quando é amor não inveja,não se aflige com a grandeza do outro, admira-o como uma obra de arte,rega-o e fica a vê-lo crescer,por vezes fica na sombra do outro não porque tenha menos luz mas porque no amor há dias em que um descansa debaixo do outro. O amor quando é amor aplaude o outro,não se importa de ser espectador dos seus feitos e testemunha das suas conquistas. O amor quando é amor beija-se na boca,come-se na pele, sente-se nos dedos,entra no nariz e deixa sabor na língua.

O amor quando é amor é para sempre, ainda que o outro corpo saia o amor pode ficar. Ah desculpem mas isso já não é amar, isso é morrer.

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