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A minha vida virada do avesso - crossfitjourney

A minha vida virada do avesso - crossfitjourney

Just another day at the office

 

Se tenho vontade de chegar aqui e dizer que estou bem, TENHO, mas existe sempre um entrave e isso nunca acontece, se me esforco, ESFORCO, mas nao chega. Talvez esteja a fazer tudo errado. Bem...

 

Ontem estive no hospital, comecei ha duas semanas com dores no cóccix e nestes ultimos dias agravaram-se ao ponto de nao consegui andar direita. Fui ate ao hospital pedir para fazer um raio-X pois poderia ser um quisto ou algo parecido. Resultado: não era nada e levei uma injeccao de Clonix que me ia matando de tantas dores.. uma hora a sofrer e hoje continuo sem me poder sentar direita. 

 

Fui até a praia hoje, por o cu (que é mesmo assim) na água do mar e ver se as aguas salgadas e geladas do atlantico melhoravam as minhas dores, quando dou de caras com o R.. ora bem o R. é um dos meus grandes amores platónicos. Quando era mais nova, os meus avós passaram a ter vizinhos, uma mãe e o filho que foram viver para uma casa de uma assoalhada pois a mãe sofria de violência doméstica. Não preciso dizer que sempre me armei em Madre Teresa de Calcutá e assim que soube da história quis logo saber quem seria o rapaz que acompanhava aquela mulher tão sofrida. 

Certo dia, ali estava ele, mais velho que eu uns 3 anos, e lindo, surfista, tinha uma carrinha branca e era moreno. Foram anos e anos a sonhar que um dia aquele rapaz poderia ser meu.. Á medida que os anos se foram passando, fui tomando conhecimento de que ele não era assim tão bom rapaz, que não era assim tão sofrido e que o seu trabalho não era assim tão digno como ele dava a entender. Nunca nos falámos, mas ele nao saía da minha cabeça. 

Quando terminei com o D. (historia longa) senti que tinha chegado a hora de conhecer o R. e de finalmente realizar o meu sonho de ter um caso tórrido com ele. 

Estávamos em 2011, o plano ja estava todo elaborado na minha cabeça iria dizer-lhe que o namorado da minha prima precisava de trabalho e se ele não poderia coloca-lo no restaurante onde trabalhava. E assim foi, fui comecando por cumprimenta-lo sempre que o via, passava dias inteiros na minha avó e sempre que ele aparecia eu arranjava um motivo para ter de sair, ele falava me sempre com o seu ar simpatico e eu retribui-a. Até que chegou o dia, saí da unica aula que tinha e fui até a praia ver se ele lá estava, vi que o carro dele estava a ser rebocado na praia pela policia e pensei que sem carro ele so poderia fazer uma coisa: ir para casa. Apressei me e fui para casa da minha avó, tal lobo mau a encurtar caminho para chegar a tempo de comer o capuccinho vermelho. 

Ja eu la estava quando tocaram a campainha.... era ele... 

-"ola, tudo bem? podes dar me a chave da minha casa sff, eu ja devolvo"

 

Entreguei a chave e esperei que ele voltasse. Quando voltou coloquei o plano em accão e voilá! ganhei o numero de telefone dele e ainda se despediu de mim com um beijo mandado directamente dos seus labios...Foi ridiculo, consigo perceber agora, mas na altura estava completamente em extase..."NÃO ACREDITO QUE ELE FALOU COMIGO E DEU ME O NUMERO DE TELEFONE"...

 

Uma semana mais tarde, quando ia a caminho do MacDonalds aconchegar o meu estomago com um quilo de calorias, encontrei-o na rua e decidi enviar lhe uma sms com algo do género "tao tarde e andas na rua sozinho" e foi assim que comecámos a falar. 

 

Combinamos encontrar-nos na praia, estava a chover a potes, trovejava imenso mas eu saí de casa de uma amiga e fui a voar ter com ele. Conversamos sobre imensas coisas, e eu pensava que seriamos capazes de nos entender, ele era tudo o que eu queria. O carro dele estava equipado com uma televisao bem pequena. A teoria dele era que daqui a uns anos todos os carros teriam aquele equipamento que dava para ver dvds enquanto conduzes, ouvir musica de radio, cds e ainda ver televisão. Ele tinha os cds todos arrumadinhos, o carro era tao limpinho e cheiroso e ele tambem. Lembro me como se fosse hoje, de todas as sensações e toda a alegria que o meu coração sentia naquele momento. O Dvd que estava a passar era de "Seu Jorge" uma imagem lindissima de um concerto com árvores e com sons bem tipicos brasileiros, nada de "ela e amiga da minha mulher" mas sim "burguesinha burguesinhaaa" ... eu sentia me uma burguesinha com ele. 

 

Os nossos encontros comecaram por ser sempre ao final da noite, quando ele terminava o trabalho, sempre no mesmo sitio e sempre virados para o mar, embalados sempre pela mesma banda sonora. 

 

Comecei a querer saber mais do que podia, o R. tinha bons carros, vivia bem, almocava sempre em restaurantes... e ninguem que trabalha numa pizzaria consegue ter uma vida assim... eu já sabia de onde vinha esse estilo de vida caro, tinha descoberto no natal antes de comecarmos a falar. Esse foi passado em casa da minha avó. Estavamos todos a jantar no dia 24 de Dezembro de 2010, quando tocaram á campainha.. Era a vizinha para nos dar um Bolo Rei, o meu avô simpatico que é convidou-a a sentar-se connosco para tomar um café. "não sei vizinho, o R. esta ali em casa a minha espera" e o meu avô "então chame-o e venham".... Vieram os dois juntar-se á nossa familia... Lembro-me que poucas palavras troquei com ele, e ele estava bastante nervoso. 

Quando foram embora, o meu pai e o meu tio comecaram a falar dele, que sabiam bem quem ele era... um traficante que trabalhava para um dos maiores traficantes de droga da nossa zona. 

O meu coração encheu-se de nervosismo quando a minha mãe me disse que ele olhava bastante para mim, e foi esse dia que fez com que eu tivesse coragem para alcançar o meu sonho. 

 

Um dos dias em que saimos, ele mostrou me um surface.. o primeiro surface a sair para o mercado, ainda ninguem usava tablets quando mais surfaces... senti que era aquela altura que eu podia perguntar e dizer lhe que sabia... "va R. diz lá, eu sei o que fazes para ter essas coisas" ele sorria e dizia que não fazia nada, mas no sorriso dele, ele dizia tudo, e no fundo eu sabia que não podia meter me demasiado nas coisas dele... eram dele e só dele, e se eu soubesse poderia sair prejudicada. 

 

Lembro me bem do primeiro dia em que nos beijámos, fomos a praia de carcavelos beber um Mojito. Fiquei tao tonta que consegui soltar me o suficiente, foi na praia numa das espreguicadeiras brancas que nos beijamos... e ele beijava tão bem... tinha um corpo fantastico e agarrava me como nunca ninguem me tinha agarrado. Fui dormir com as nuvens naquele dia... adormeciamos a enviar sms um ao outro. 

 

Quando chegou o verão, ele foi para o festival Meo Sudoeste, fiquei para morrer a achar que ele não voltaria para mim pois iria encontrar uma rapariga á altura dele... despediu se de mim com dois beijos e depois voltamos a encontrar nos no miradouro (por acaso) ele veio novamente despedir se com mais beijos espectaculares e ardentes..Voltou no dia seguinte para os meus bracos... 

 

Só que nem tudo era um mar de rosas, ele comecou a desparecer, a ficar "OFF" vários dias seguidos, ia para espanha, marrocos, trocava de numero de telefone varias vezes, e eu nunca sabia quando podia falar com ele. Descansava apenas quando de manhã chegava ao carro e la tinha eu um papel a dizer me como poderia falar com ele... Ainda hoje sonho em encontrar um papel no vidro. O facto de saber que durante a noite ele tinha vindo a minha rua escrever um papel para eu saber como falar com ele..... fazia me sentir a pessoa mais especial do mundo.

Era esta forma de ele ser que me agarrava, que me desaustinava mas que me fazia sentir segura ao ponto de não me importar quando ele desaparecia.. ele arrebatou completamente o meu coração  e eu era completamente feliz quando estava com ele.

 

Até ao dia... ja se tinham passado 4 dias sem noticias dele, nem papel no carro... pensava o que poderia ter acontecido.. teria sido apanhado? teria se desinteressado de mim? mas o meu coração estava calmo... Entra o meu pai no meu quarto com um papel na mão a dizer que ja sabia de tudo e que se a policia me apanhasse com ele, ficaria na esquadra pois ele não me ia buscar para eu aprender a lição! Não ouvi nada do que ele me disse, fiquei feliz por saber que afinal ele tinha deixado um papel, e que poderia falar com ele. 

 

A ultima vez que estive com ele foi na costa da caparica. Passamos o dia na praia, ele veio buscar me a casa, deu me um beijo na boca quando entrei no carro. Quando chegamos a costa fomos comprar fruta e enquanto a senhora pesava a fruta, ele agarrou-me e beijou me como se fossemos dois namorados... almocámos juntos na praia, e foi quando ele me pediu que guardasse o fio no bolso dos calçoes que me apercebi que não poderiamos ser mais que aquilo, um grande maço de notas denunciava as atitudes ilegais dele... e o perigo que eu corria... isso aliado dos desaparecimentos repentinos dele.. fizeram com que nao voltassemos a estar juntos.

 

Poderia ficar aqui a falar das mensagens que se seguiram após o nosso ultimo encontro, mas é demasiado doloroso. Fico me por aqui, lembrar me de que consegui ser feliz até aquele ponto, faz me pensar na vida que tenho hoje... e foi isso que aconteceu hoje quando o vi na praia deitado na areia com a namorada. Ela sim é a Namorada... eu nunca fui nada, eu quis ser o que nunca poderia ser.. por falta de empatia, ligação, disponibilidade... Fiquei a admira-lo a rezar para que ele voltasse a olhar para mim e os papelinhos voltassem a aparecer no meu carro... mas por mais dura que seja a realidade venha a verdade! Tenho de aceitar que a história acabou e que tambem nunca poderia ter sido mais que aquilo que foi.  

O que eu queria com o R. era algo impossivel, viver um amor que o renovasse, que o fizesse mudar de vida, sonhava com isso todas as noites. sonhava que ele ia amar me ao ponto de largar tudo e ter uma vida digna ao meu lado, nem que para isso tivesse de ser preso, eu iria aguentar esse peso para ficar com ele.Tive o que poderia ter tido dele e foi suficiente, o suficiente para me fazer feliz naquela altura e hoje, pois tive a sorte de viver algo com a pessoa dos meus sonhos. 

Se fechar os olhos e pensar nele, ainda sinto a felicidade daqueles meses.